Em meio a visita de Biden por diálogo, Israel anuncia mais 1.600 casas em Jerusalém

Por - das Agências

Publicado em 09/03/2010

O Ministério de Interior de Israel aprovou a construção de mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental, uma medida que deve irritar os palestinos, em meio a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para acertar a mediação americana das negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

O ministério diz que as unidades serão construídas na vizinhança de Ramat Shlomo, em uma parte da cidade que os palestinos reivindicam como futura capital.

Israel anexou Jerusalém e se recusa a restringir a construção no local. Os palestinos e a comunidade internacional veem as novas casas como assentamentos judaicos, uma forma de aumentar a presença israelense no território e deslegitimizar o pedido palestino.

A decisão ocorre um dia após o anúncio de mais 112 casas em Beitar Illit, uma colônia judaica na Cisjordânia. Ocorre ainda em plena visita de Biden a Israel para iniciar as negociações indiretas entre israelenses e palestinos, paralisadas há 14 meses.

Uma das condições dos palestinos para negociações diretas é que israel interrompa a construção nos assentamentos. Um porta-voz do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse que ele não sabe dos planos de construção.

Em novembro passado, sob forte pressão dos EUA, Netanyahu ordenou o congelamento das novas construções por dez meses. A medida proíbe a edificação nas colônias com exceção da infraestrutura pública, de construções já iniciadas e dos assentamentos de Jerusalém Oriental.

Há cerca de 500 mil israelenses vivendo em territórios que os palestinos querem como parte de seu Estado. Um acordo, mesmo que contemple anexação de parte das colônias judaicas a Israel, deve forçar a retirada de milhares de israelenses dos assentamentos.

O principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou que "em cada visita de George Mitchell ao Oriente Médio os israelenses anunciam mais ampliações de assentamentos, causando constrangimento ao presidente Abbas e levantando muitas dúvidas sobre os esforços americanos pela retomada do processo de paz".

Nesta semana, Mitchell, enviado especial do governo Obama para o Oriente Médio, manteve reuniões com autoridades israelenses e palestinas e conseguiu negociar a retomada de negociações indiretas, marcando o reinício de um processo de paz abandonado em dezembro de 2008.

Biden

Após uma reunião com o primeiro-ministro Netanyahu, nesta terça-feira, Biden declarou que os EUA darão apoio absoluto e total à segurança de Israel e que os laços bilaterais são "inabaláveis".

A declaração de apoio do mediador do diálogo, retrato da relação americana com seu maior aliado na região, não deve ser bem vista pela liderança palestina, que espera trazer à mesa os temas mais complicados do diálogo --como o status de Jerusalém e as terras do futuro Estado palestino.

"A pedra angular de nossa relação é nosso compromisso absoluto, total e sem reservas a favor da segurança de Israel", declarou Biden, que está em visita oficial a Israel e aos territórios palestinos.

"No Oriente Médio se registram avanços quando cada um sabe que não há distâncias entre Estados Unidos e Israel. E não há distâncias entre Estados Unidos e Israel quando se trata da segurança de Israel", afirmou
Biden.

Biden afirmou ainda que a retomada do diálogo entre palestinos e israelenses representa "um momento de real oportunidade" para a paz.

O vice dos EUA, que chegou na segunda-feira ao Oriente Médio, é o mais graduado membro do governo de Barack Obama a visitar Israel até agora, em meio à forte preocupação que existe no Estado judaico com o programa nuclear iraniano.

Uma das missões de Biden é definir com israelenses e palestinos o conteúdo e o formato das negociações indiretas.

O governo israelense afirma esperar que as negociações indiretas sejam de curta duração e levem à retomada das negociações diretas. Tel Aviv, contudo, não demonstra disposição de discutir temas importantes como o retorno dos refugiados palestinos.

Do outro lado, a Autoridade Nacional Palestina, que obteve apoio da Liga Árabe na retomada, quer abordar desde o inicio as questões mais problemáticas.

As negociações devem durar meses e estão sendo chamadas de "conversas de aproximação" --já que os dois lados não se sentarão na mesma mesa, mas responderão a propostas levadas pelos mediadores americanos. Depois de muitas conversas diretas no passado, este é um sinal de como as relações entre os dois países se deterioraram --e de quão difícil será o esforço de retomada.

Fonte: Portal UOL